quarta-feira, 20 de março de 2013

a grande (não) tragédia


do dia em que eu desaprendi a dormir sozinha.

eu nunca fui uma boa dormidora. sou muito boa dorminhoca, mas só depois que eu durmo. sabe quando é inverno e a última coisa que você quer fazer é tomar banho, mas depois que entra e nota os prazeres da água quente num dia frio a última coisa que quer fazer é sair do banho; então, eu sou mais ou menos assim com o sono.
isso me atormenta há tempos. já disse que é sempre a insônia que me convence.

mas eu descobri o segredo.
é só ter seus pés pra esquentar os meus, seu braço dormente pra descansar na minha cintura e sua respiração na minha nuca que eu durmo. durmo como um bebê. durmo sem nem pensar na vida e fazer uma lista mental das coisas a fazer. (talvez por isso que eu não tenha feito muitas coisas).
eu sou tão fácil que as vezes só de saber que você me observa, eu já cochilo.

mas, amor, é só a gente ficar longe que eu desando. já era difícil dormir sozinha quando eu tinha meu canto e você tinha seu canto. a gente podia estar cansado, doente, louco ou bêbado; mas a gente dava um jeito. tinha sempre você pra virar os lençóis no meio da noite. (um ano dormindo juntos e ainda não entendi como você consegue). mas agora que a gente tem o nosso canto eu fiquei permanentemente mal acostumada.

nunca mais vou conseguir dormir sem ouvir seu boa noite.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

que seja doce

sabe-se bem da minha habilidade em distorcer assuntos, de modo que falávamos da abobrinha que comeu no almoço e sem mais nem menos já te confidenciava entre sussurros que queimava pedidos no samhain. você me perguntou se eles se realizavam e eu disse que sim, sempre. fiquei sem jeito de dizer que a prova eram nossas pernas enroscadas e nosso hálito que se  misturava nos milímetros entre as bocas. 

eu escrevi naquele pedaço de papel que dobrei em dezesseis partes "que seja doce que seja doce que seja doce que seja doce que seja doce que seja doce que seja doce". 
sete vezes, pra dar sorte. tal qual no conto do caio. 
não que eu soubesse o que deveria ser doce. tal qual no conto do caio.

eu pensava no meu tio na cama do hospital e sua morte iminente. eu pensava na monografia que assombrava meus pensamentos mas não se desenrolava nas páginas. eu pensava nesse futuro aterrorizante que já chegou, o não saber o que fazer, sabe. 
mas eu, lá naquela janela, tendo por companhia só a vela no pires, pedi, meu amor, pela sua companhia. 

esperei que dentre todas aquelas janelas alguém me observasse, como você observou. 

mas, te juro, meu amor, nem nos mais doces devaneios imaginei assim.
pra nós é tudo doce. é tudo rosas e morangos. é café com seis gotas de adoçante. são nossos beijos. e são nossos fluídos se misturando nos lençóis. 

e agora, pela manhã, não repito mais esse mantra. só agradeço por acordar com o seu "bom dia".